São Paulo – Levantamentos recentes indicam que, apesar de testes conduzidos por montadoras, o rádio segue dominante no carro e ainda influencia diretamente a decisão de compra de veículo
O avanço de tecnologias embarcadas e serviços digitais nos automóveis tem incentivado uma pequena parte da indústria a testar modelos sem rádio AM/FM. No entanto, dados recentes de consumo e pesquisas com consumidores indicam que essa tendência pode encontrar resistência significativa do público, o que tende a frear ou ao menos retardar esse movimento. O tudoradio.com tem acompanhado esse cenário, que, por enquanto, na prática, está restrito a dois modelos de entrada da Tesla, fato que deverá nortear as discussões sobre o rádio no NAB Show 2026, que acontecerá a partir do dia 18 e terá cobertura do portal.
De acordo com levantamento da Edison Research, referente ao primeiro trimestre de 2026, o rádio responde por 55% de todo o consumo de áudio no ambiente automotivo nos Estados Unidos. Mesmo entre o público mais jovem, de 13 a 34 anos, o meio mantém a liderança, com 46% de participação, à frente de serviços de streaming musical e outras plataformas de áudio.
Esse cenário ocorre em paralelo a manifestações recentes de executivos da indústria automotiva. Marcas como Dodge e Chrysler chegaram a considerar a possibilidade de lançar veículos de entrada sem rádio, enquanto a Tesla já retirou o recurso em versões específicas de seus modelos. Outras empresas, como a Slate Auto, também avaliam propostas semelhantes em novos projetos.
Apesar desses movimentos, pesquisas de mercado apontam uma rejeição relevante por parte dos consumidores. Estudo conduzido pela Xperi em 2024 indica que 62% dos compradores não considerariam adquirir um veículo sem recepção AM/FM. Já levantamento da Quu, divulgado em 2025, mostra que o FM está presente em todos os 100 modelos de veículos mais vendidos nos Estados Unidos, enquanto o AM aparece em 98% deles.
E esse cenário também é confirmado por uma pesquisa recente divulgada pela National Association of Broadcasters (NAB), nos Estados Unidos, que revelou que 96% dos consumidores americanos consideram importante ter rádios AM/FM disponíveis em seus novos veículos. O levantamento mostra que esse recurso é valorizado por aspectos como gratuidade, acesso rápido e facilidade de uso, consolidando a relevância do meio mesmo em tempos de conectividade e plataformas digitais.
Os dados reforçam que, além de manter forte presença no consumo diário, o rádio exerce papel relevante na percepção de valor do produto automotivo. Para o setor, isso representa um indicativo de que eventuais mudanças estruturais no entretenimento embarcado precisam considerar não apenas a evolução tecnológica, mas também o comportamento e as expectativas do público.
Outro fator que destaca a importância do tema é o avanço de discussões no campo regulatório. Nos Estados Unidos, o projeto AM Radio for Every Vehicle Act propõe tornar obrigatória a presença do rádio AM em todos os veículos novos, sob o argumento de sua relevância para comunicação de emergência. A proposta já reúne amplo apoio no Congresso, embora ainda aguarde tramitação final.
Diante desse cenário, a combinação entre alto consumo, preferência declarada dos consumidores e pressão institucional indica que a retirada do rádio dos automóveis, embora em teste por parte da indústria, tende a enfrentar barreiras significativas no curto e médio prazo.
Com informações do portal Radio INK
Autor: Daniel Starck
fonte: TUDO RÁDIO