Sindicato das Empresas de Rádio e
Televisão no Estado de São Paulo

Diálogos ABERT: Rádio Híbrido: novos caminhos para a digitalização da experiência do ouvinte

As tentativas anteriores de digitalização do rádio no Brasil, com testes das tecnologias DRM e HD Radio, tiveram um foco maior na performance da transmissão. A expectativa era de se obter ganhos de qualidade no áudio recebido pelos ouvintes, alcançando a mesma área de cobertura do sinal analógico. Porém, os resultados não foram suficientemente satisfatórios e o interesse no processo diminuiu. Neste meio tempo, a migração para o FM surgiu como uma alternativa analógica para as dores mais urgentes de cobertura e qualidade das AMs e tirou de vez o protagonismo do rádio digital.

Porém, restou um gap não atendido. O consumo de mídia evoluiu rapidamente e o ouvinte passou a esperar mais do que apenas áudio: interatividade, personalização, conteúdo sob demanda e integração com o ambiente digital se tornaram padrão.

É nesse cenário que o rádio híbrido ganha relevância. Ele combina a recepção dos sinais de RF transmitidos pela emissora com a conexão bidirecional de comunicação da internet. Potencialmente, ele supera a capacidade de oferecer funcionalidades do rádio digital, que não possui canais de retorno.

Para o ouvinte, o resultado é uma experiência enriquecida de consumo de mídia, compatível com as suas expectativas rotineiras no contexto digital, onde o áudio da programação passa a ser complementado com elementos visuais, conteúdos adicionais, personalização, interatividade e outras funcionalidades. Para o radiodifusor, o modelo significa uma revitalização do seu negócio e um ganho de competitividade, que contribui para: enriquecer e agregar valor ao produto oferecido aos ouvintes; viabilizar novas oportunidades de monetização, obter dados da audiência em tempo real e aumentar a percepção de valor da marca da emissora que passaria a ocupar um lugar ao lado das mídias digitais.

Mais do que uma evolução tecnológica, o rádio híbrido representa uma mudança de paradigma. Ele desloca o foco da transmissão para a experiência do ouvinte, abrindo caminho para fortalecer a presença do rádio em um ambiente cada vez mais orientado por dados, conectividade e integração de mídias.

Por Marco Túlio, engenheiro de Telecomunicações formado pela Universidade Federal Fluminense, com carreira desenvolvida na área de radiodifusão. Foi gerente-geral de Tecnologia do Sistema Globo de Rádio e responsável pelas áreas de Engenharia, TI e Operações. Atualmente, é diretor da ZYDigital, empresa voltada para consultoria de tecnologia como suporte a negócios e desenvolvimento de soluções em engenharia de mídia. É vice-diretor de Segmento de Mercado Rádio da SET.

fonte: ABERT

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