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Brasil na rabeira tecnológica



Para um país que aspira ingressar em breve no bloco das economias mais pujantes do mundo, o Brasil precisa com urgência escapar das ciladas do subdesenvolvimento. Não movimenta o sistema educacional sob os impulsos sistemáticos da universalização e da qualificação que levaram nações do mesmo porte a rápida e segura expansão econômica. Avança muito abaixo dos potenciais de enriquecimento por negligenciar o aumento das infraestruturas e a modernização das existentes. Aí estão apenas duas entre muitas deficiências que amarram o país ao atraso.
Não constitui novidade, também, a débil ação deste e de governos anteriores quanto à dinamização dos fatores científicos como agentes propulsores do fortalecimento econômico e do bem-estar social. Todavia, surpreende a pesquisa realizada pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgada há dois dias. Numa lista de 48 nações desenvolvidas e emergentes analisadas sobre níveis de inovação tecnológica, o Brasil posicionou-se em 42º lugar. Ficou apenas à frente do México, África do Sul, Argentina, Índia, Letônia e Romênia.
Há 30 anos, a Coreia do Sul disputava com o Brasil as últimas colocações no tocante à assimilação de tecnologias. Hoje, o parceiro asiático ocupa o 8º lugar no ranking da OCDE. Passou adiante da Alemanha, França, Reino Unido, Espanha e Rússia. É surpreendente? Não. Fora Israel, que aplica 4,7% do PIB, a Coreia do Sul é o pais que mais investe em inovação tecnológica (3,3%). Colhe o resultado das robustas políticas públicas que tem praticado nos últimos 35 anos. Já o Brasil deixou-se conduzir pelo marasmo, malgrado não faltassem alertas das entidades científicas, de empreendedores e do universo acadêmico.
No ano passado, segundo dados do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), governo e iniciativa privada investiram em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e processos produtivos R$ 32,57 bilhões (1,1% do PIB, vale dizer, três vezes menos que a Coreia do Sul). É difícil, reconhecem especialistas, comprometer aumento substancial de recursos para queimar etapas a curto prazo. Já se sabe que o governo, com caixa comprometido nas obras do PAC para turbinar a pré-candidata à sucessão presidencial, Dilma Roussef, não dispõe de recursos para alavancar o setor.
Há, porém, saídas para propiciar alguns impulsos às atividades tecnológicas, se bem que em proporção longe das reais necessidades. Vale citar a adoção de estímulos fiscais a projetos da área privada e o aumento da eficiência dos programas de financiamento. Dizem os doutos na matéria que, no Brasil, para cada dólar gasto pelo governo em tecnologia corresponde outro aplicado pelas empresas — resposta razoável, embora a relação média mundial seja de US$ 1 para US$ 2,5.









 


Fonte:Correio Braziliense – Opinião

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