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A tecnologia 3D avança, mas o consumo patina

A tecnologia 3D rapidamente deixou de ser exclusividade do cinema. Das telonas, a realidade virtual mais real possível hoje já pode ser encontrada em dispositivos como smartphones, câmeras fotográficas, filmadoras e televisores. Embora entidades como a Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) ainda não tenha números fechados a respeito do crescimento desse segmento, os principais fabricantes dos produtos garantem que não poderiam estar mais felizes — pelo menos, é o que dizem as pesquisas de mercado. Entre os adeptos, a tevê é a grande estrela: de acordo com a empresa americana especializada em pesquisas de mercado para a tecnologia IHS Suppli, até 2015, metade das televisões vendidas serão 3D.

Até 2011, quando foi feito o levantamento, a venda mundial estava na casa dos 23,4 milhões de unidades. A tendência é de que a tecnologia se torne cada vez mais acessível — com preços em queda acentuada. A tevê 3D só não faz mais sucesso ainda, além do preço alto, por conta da falta de praticidade. Antes de ver seu personagem preferido “de perto”, quem decidiu experimentar a novidade depende da oferta de conteúdo em 3D — ainda escassa — e de acessórios específicos, como os óculos especiais. Ainda assim, o público parece querer experimentar. Segundo a LG, a venda dos televisores com tecnologia TV Cinema 3D precisou de apenas 15 dias para alcançar a marca do antigo modelo, o TV 3D ativa — o que representaria um crescimento de 1.900%.

De acordo com a Sony, as vendas de televisões 3D cresceram cerca de 1.500% em 2011, o que confirma a preferência. Os consumidores também estão à procura de telas cada vez maiores: ainda de acordo com a empresa, as vendas dos produtos com telas acima de 46 polegadas aumentaram quase 40% no ano passado. Somente os modelos de 55 polegadas foram responsáveis por um acréscimo de 59%.O militar Giovani Batista de Rezende, 53 anos, é um exemplo dos que resolveram dar uma chance às imagens realistas em três dimensões. Há cerca de dois meses, ele comprou uma televisão 3D, seduzido pelo valor promocional.

Por R$ 1,8 mil, Giovani pôde, finalmente, matar a curiosidade e descobrir se ela era “tudo aquilo mesmo que as pessoas estão comentando”. Acabou tendo, por mais tempo que esperava, que segurar a vontade de vê-la em ação. “Quando fui instalar, vi no manual que tinha necessidade do óculos especial e de um equipamento para sincronizar os canais”, descreve. O sincronizador e os óculos, por enquanto, terão que esperar. “Mesmo assim, acho que é uma tendência. Daqui a alguns anos, tudo vai ser em 3D”, arrisca, depois de ter conseguido finalmente usá-la com material emprestado.

Recém-chegados

Mesmo com a televisão, Giovani diz que ainda não conhece muitas pessoas com objetos 3D. Os produtos, realmente, são novos por aqui. O primeiro celular com a tecnologia só chegou ao Brasil em maio do ano passado. Em agosto de 2011, surgiu o pioneiro dos notebooks 3D que dispensa o uso de óculos (veja Linha do Tempo). Talvez por ser novidade, ainda haja dúvidas a respeito do valor — e da confiabilidade — da tecnologia. Fernando Ogava, analista de produto da Panasonic do Brasil, diz que a tecnologia 3D funciona como “o par de olhos de uma pessoa, que permite que duas imagens iguais, porém com profundidade e posição diferentes, sejam montadas em uma única imagem”.

Para que o par de imagens seja captado, é necessário usar câmeras e filmadoras com duas lentes especiais cada. Ogava explica que essas lentes são acopladas, para que duas cenas do mesmo objeto — como acontece com o olho esquerdo e o direito — sejam captadas simultaneamente. “A tecnologia 3D é igual para filmes e fotos”, completa. O que muda, segundo ele, é o método de adquirir essas imagens, como, por exemplo, “a utilização de lentes polarizadas, com complexos filtros de cores para obter o mesmo resultado que o visto em filmes”.

Ricardo Eloy, especialista em computação gráfica e diretor de marketing da Escola de Cinema, 3D e Animação Melies, diz que há duas modalidades de filmes em três dimensões. A primeira é quando o filme é gravado em 2D, para só então ser transformado em 3D, durante a pós-produção. A segunda acontece quando as imagens já são registradas com a ajuda de câmeras em três dimensões. No caso das tecnologias ‘caseiras’, como as câmeras fotográficas, ele diz que o grande objetivo é simular a visão humana. “No corpo, as imagens são captadas em separado e o cérebro cria o efeito de profundidade que enxergamos”, detalha.

Para o especialista, a tecnologia 3D dos celulares e de suas respectivas câmeras é interessante — e só. “Nunca vi uma filmagem de boa qualidade feita com esses aparelhos”, ressalta. A decepção acontece por conta da distância entre as duas lentes, que acaba sendo muito pequena nos aparelhos celulares e interfere no efeito de profundidade necessário. “É claro que a tecnologia vai se aprimorando, mas, por enquanto, ainda não caiu no gosto do público. As pessoas estão encarando apenas como uma curiosidade”, opina.

Outros caminhos

Mesmo quando o efeito 3D não está em sua forma “clássica”, ou seja, com objetos e demais elementos de uma determinada cena literalmente saltando aos olhos do espectador, ele ainda está presente em várias outras situações. Kleber Lopes, instrutor do centro de treinamento especializado em computação gráfica DRC Treinamentos, ensina seus alunos a operar o software Match Mover, capaz de capturar e simular o movimento de uma câmera real dentro de ambientes 3D. Em outras palavras, trata-se de uma ferramenta para introduzir elementos gráficos em imagens que já estejam prontas. “Se eu gravo uma sala e quero colocar o Homem de Ferro na cena, uso o movimento da câmera da sala para criar um realismo”, detalha.

Lopes garante que a composição fica imperceptível. “É como se aquele objeto já tivesse sido gravado em 2D”, frisa. A técnica, usada em larga escala na produção de propagandas televisivas e mesmo filmes, é uma das formas mais “discretas” de 3D. Além dos aparelhos “cotidianos”, como celulares e câmeras, os jogos eletrônicos aderiram ao 3D. Erick Passos, especialista em computação e professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí (IFPI), explica que, assim como acontece no cinema, o objetivo da tecnologia, quando aplicada aos jogos, é fazer com que cada olho visualize a cena sob um ângulo ligeiramente diferente. “Isso leva a uma maior sensação de imersão”, complementa.

A diferença entre o 3D do cinema e o usado em games é a maneira com que as imagens são concebidas. “Em jogos, a cena já é gerada de forma simulada a partir de uma câmera virtual, então o efeito 3D é facilmente obtido se gerando duas imagens sob o ponto de vista de duas dessas câmeras virtuais”, detalha o também desenvolvedor de jogos e dono do estúdio Sertão Games. Embora as limitações do 3D aplicado aos jogos sejam menores, os programas precisam ser projetados especialmente para esse tipo de exibição, “já que jogos antigos só geram imagens sob um único ponto de vista”. O especialista diz que, por enquanto, os jogos em 3D não são muito convidativos para grandes grupos de usuários, como acontece no cinema. Isso ocorre porque, mesmo para celulares ou videogames que permitem a exibição 3D sem o uso de óculos especiais, a resolução é diminuída pela metade. “Além de só funcionarem de determinados ângulos e distâncias, praticamente impedindo a possibilidade de muitas pessoas assistirem ao mesmo tempo”, justifica.

Fonte:Correio Braziliense -Tecnologia

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